quarta-feira, 27 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
Minha experiência com a PRK
Eu decidi escrever sobre esta experiência pois o depoimento de outras pessoas em blogs me ajudou muito e me deixou muito mais tranquila, em momentos que pareciam estranhos no pós-operatório e sobre o que conversar com meu médico e talvez minha experiência possa ter esta função para alguns também.
Para começar, vou resumidamente falar sobre as diferentes técnicas. Na verdade, hoje temos basicamente 2 técnicas (tem mais, mas essas são as principais), a E-lasik e a PRK. A E-lasik é, em minha opinião, de longe a mais indicada para todos os que podem fazer pois o pós-cirúrgico é rápido e com muito menos incômodo. Acontece que algumas pessoas (como eu) não podem fazer a E-lasik devido à espessura da córnea normalmente (entre algumas outras características), e para estas pessoas existe a tecnologia chamada PRK.
Ambas têm o procedimento cirúrgico muito rápido (em uma média de 5 minutos se termina os 2 olhos DE VERDADE, eu não acreditava quando lia isso...rs !!! ) a diferença é que na e-lasik, devido a uma córnea mais grossa, o oftalmologista tem a possibilidade de fazer um corte na córnea da finura de um fio de cabelo – o famoso flap – e levantar esta partezinha cortada para fazer o laser agir na camada de baixo deste flap. Após a ação do laser, o flap é abaixado novamente para a sua posição inicial e imediatamente “cola” onde estava. Por conta disso a recuperação é muito rápida, normalmente em 2 ou 3 dias a pessoa já não sente mais nada e já enxerga muito bem.
Já a PRK por não ter como fazer o Flap, o oftalmologista deve fazer uma raspagem da córnea para deixa-la no formato exato para corrigir a deficiência visual deixando o olho sem o epitélio (primeira camada da córnea) e exposto para receber o laser. Como o epitélio foi raspado, e não tem como volta-lo ao lugar como o flap, após o laser, o médico coloca uma lente de contato cirúrgica, sem grau, que fica no olho por aproximadamente 4 dias, apenas para proteger o olho e evitar dores, uma vez que com a córnea exposta, os nervos também ficam (!) portanto esta lente é fundamental para o conforto e cicatrização, mas como não é natural como o flap, a cicatrização é bem mais demorada pois o epitélio cresce novamente no período de pós quando dormimos, mas durante o dia, conforme piscamos, ele vai se degenerando, portanto é aquela coisa de 2 passos pra frente e 1 pra trás. Normalmente a primeira parte da cicatrização, onde o paciente já está enxergando bem próximo do que vai ser o resultado da cirurgia é depois de 30 dias e a cicatrização completa pode levar de 6 a 12 meses.
Portanto minha recomendação inicial: Se você pode fazer a e-lasik faça sem pestanejar... é extremamente gratificante estar enxergando sem usar óculos, mas bate um stress as vezes neste período de recuperação da PRK !!!
Bom vamos à minha experiência:
Escolhendo o profissional
Esta é uma parte importantíssima do processo... Nunca faça um procedimento cirúrgico sem conhecer a reputação do seu médico. Eu procurei bastante, conversei com vários e sempre ficava pensando que queria fazer com o Dr. Claudio Lottenberg pois ele é um dos médicos mais conceituados do Brasil e atua no hospital Albert Einstein (onde tem um cargo de presidência ou algo do tipo) mas achei que seria um absurdo de caro fazer com ele justamente por estes motivos (meu convênio só cobre acima de 5 graus e eu tinha 4,75 de miopia e 2,5 de astigmatismo) mas resolvi tentar e pra minha surpresa, o valor que haviam me passado era de apenas R$ 200,00 a mais do que o último orçamento que fiz ficando em R$ 3.400,00. Pronto, estava decidido o profissional. (para quem tem convênio, ele é conveniado com alguns e você pode ter cobertura se tiver acima de 5 graus).
O pré-operatório
Para saber se você pode ou não operar existem diversos exames. Eu marquei minha primeira consulta dia 03/02/2012 nesta consulta passei por uma “pré-consulta” onde a equipe de apoio fez todos os exames necessários e no consultório o Dr. Claudio apenas fez o teste de acuidade visual para ver se realmente estava estável (eu levei receitas anteriores) e me disse que meu olho é perfeito para receber a cirurgia PRK e me encaminhou para uma outra médica que me passou os detalhes da cirurgia, pós-cirúrgico e preços e com ela marquei a cirurgia para o dia 07/03.
A cirurgia
A cirurgia é feita no hospital Albert Einstein e é por ordem de chegada, eles marcam para as 11h mas conforme os pacientes vão chegando, vão recebendo uma senha e normalmente acaba todo mundo até às 14h. Antes da cirurgia eles pingam um colírio anestésico e vão chamando as pessoas, eu contei no relógio o tempo que levou a primeira menina, da hora que ela levantou da cadeira até sair da sala de cirurgia deu exatos 3 minutos. Isso já me deu um grande alívio.
Quando estava perto de chegar a minha vez comentei com uma menina que estava próxima de mim que eu já não estava sentindo o efeito do anestésico e ela me disse que o dela ainda estava bastante, mas não liguei, achei que era normal.
Bom, me chamaram, com frio na barriga entrei na sala e deitei na maca, tinham vários auxiliares junto com meu médico e ele iniciou o procedimento... Lembra que eu disse que a cirurgia é indolor? Então, acho que meu olho realmente não aceitou bem o anestésico porque senti um pouco de dor sim, mas durante a cirurgia não foi nada desesperador, mas doeu um pouco e eu ficava querendo fechar os olhos, então devo ter dado um pouco de trabalho para o médico...rs.. Agora depois da cirurgia realmente senti muita dor, senti logo após a cirurgia o que todos relatam que sentiram uns 40 minutos depois, quando o anestésico já não fazia mais efeito. Era como se algo realmente me impedisse de abrir o olho, impossível deixa-los abertos e a cada tentativa eles lacrimejavam e ardiam muito, a ponto de dar mau humor. Como consequência de toda esta dor e incômodo, minha pressão caiu e comecei a passar mal na sala de orientação do pós-cirúrgico, a médica já tinha me explicado tudo e a dor já estava bem chata... ela viu que eu não estava bem, chamou as enfermeiras que me deram água, chamaram minha irmã e me levaram para o centro cirúrgico onde ficaram monitorando minha pressão até que ela voltasse ao normal e não me deram alta antes disso (por mais que eu tenha pedido, pois a dor estava muito chata e tudo o que eu queria era ir para casa). Alias, tenho que comentar que o atendimento, atenção e respeito da equipe do Dr. Claudio Lottenberg durante a cirurgia no Hospital Albert Einstein foi fantástica! Enfim, minha pressão melhorou e minha irmã me trouxe para casa. Chegando já fui para o quarto todo escuro e pinguei os colírios, em poucos minutos a dor começou a diminuir bastante e eu dormi a tarde toda. Quando acordei, umas 18h,estava praticamente sem dor, apenas com incômodo e sensibilidade à luz. Deixei uma lanterna acessa no quarto e a janela aberta, pois já tinha começado a escurecer e fiquei de óculos escuros o restante da noite, sem dor, mas também sem conseguir fazer nenhuma atividade, impossível ler, ver televisão ou usar o computador, no máximo algumas coisinhas no celular, mas no máximo 5 minutos. Não restou outra saída além de dormir.
Os próximos dias foram bem parecidos com o primeiro. Muito incomodo com luz, não sai do quarto nem pra comer, minha mãe levava a comida para mim no quarto e tampava a janela do banheiro com uma camiseta preta para não entrar claridade e eu usava a lanterna tanto no quarto quanto para tomar banho, melhorei um pouco no terceiro dia, domingo, que fui até no shopping com uma amiga tomar um café.
Na segunda-feira (quarto dia após a cirurgia) fui ao médico para a retirada das lentes. A equipe de enfermagem fez a retirada e na sequência fui conversar com o Dr. Claudio. Realmente é um grande alívio tirar as lentes, mas tive um incomodo muito grande como se tivesse entrado muita areia nos olhos, tinha lido que isso era normal então fiquei tranquila. No consultório o médico olhou e perguntou se eu estava sentindo muito incômodo, disse que sim, que estava com o olho seco e como se tivesse cheio de areia, ele não fez uma cara muito boa e perguntou se era suportável, eu disse que sim e ele me liberou falando dos colírios que era para eu continuar usando e dos que era para eu parar. Devido à cara que ele fez eu perguntei se estava tudo certo, ele disse que sim, então fui embora, com aquela sensação ainda horrível... Essa sensação foi piorando e foi ficando cada vez mais difícil me manter com os olhos abertos, principalmente o direito... Imaginei que chegando em casa e pingando os colírios melhoraria, não melhorou, comecei a sentir muita dor no canto do olho direito quando o abria a ponto de não conseguir nem abrir minimamente, entrei em desespero e liguei na clínica, o Dr. Claudio não atenderia mais aquele dia, então passei com um outro oftalmo, o Dr. Luis Guilherme, e foi a melhor coisa que eu fiz, este médico é fantástico, super atencioso, me explicou tudo que ninguém até então tinha explicado e me deixou muito mais calma, ele colocou um colírio anestésico para que eu pudesse manter meu olho aberto para ele examinar e então me disse que uma pequena parte ainda não tinha cicatrizado e o epitélio ainda não tinha se formado, deixando assim os nervos expostos e causando aquela dor. Me pediu que voltasse a usar os colírios para dor por mais dois dias e se não resolvesse eu deveria voltar para recolocar as lentes e terminar a epitelização (cicatrização do epitélio) mas que após dormir a noite toda, no dia seguinte eu já deveria estar melhor.
No dia seguinte, preferi não ir trabalhar para não forçar mais a vista e passei realmente melhor o dia, no final da tarde fui à casa de um amigo e voltando para casa comecei a sentir arder agora o olho esquerdo, e em poucos minutos começou a dor igual a do olho direito no dia anterior... Fiquei estressada, revoltada, assustada, enfim, fui pra casa e dormir 12 horas seguidas, no dia seguinte acordei bem, mas resolvi passar no médico novamente, o Dr. Luiz não estava pois só atende de segundas, passei então com a Dra Karen que examinou os dois olhos e disse que estava tudo bem, os dois já estavam bem cicatrizados e eu poderia ficar tranquila que dali em diante só iria melhorar. E ela tinha razão, depois destes sustos e sofrimentos, melhorou muito. Neste dia fui pela primeira vez trabalhar após a cirurgia, consegui trabalhar e até usar o computador, mas diversas vezes tive que usar óculos de sol e diminuir o brilho da tela. No dia seguinte, sexta-feira, foi um pouco melhor e já nem precisei de óculos de sol para usar o computador na empresa e sábado fui até para a balada, com fumaça e muita gente, dormi sem o protetor e acordei com o olho no travesseiro, mas não deu nenhum problema...rs...Vale lembrar que estes dias todos ainda estou usando um colírio para o pós-cirúrgico e um lubrificante pois a vista fica realmente seca as vezes.
A semana seguinte(que acaba hoje,
o dia que termino este depoimento) foi
meio estranha, por sorte li em outros depoimentos que a qualidade da visão
varia muito. Nos primeiros dias da semana tive a visão super clara e como se eu
nunca tivesse tido astigmatismo na vida, mas foi piorando a partir do meio da
semana e durante o dia todo minha visão tem ficado um pouco embaralhada. Fui na
Dra Karen de novo na quarta e ela ficou impressionada com a qualidade visual,
disse que estava ficando boa mais rápido do que o comum, pois pude ler até as
letrinhas pequenas com o olho direito, já o esquerdo estava um pouco embassado,
mas foi justamente a partir de quinta que senti que a qualidade visual caiu.
Bom, hoje é domingo, e fazem 17 dias desde que operei, fiz uma prova de
concurso hoje então a vista está ainda pior que os outros dias, dia 01 de Abril
passarei em consulta novamente com o Dr. Claudio para fazer o teste de acuidade
visual e ver como está a qualidade da visão nestes primeiros 20 e poucos dias.
Estou bastante apreensiva com relação a este astigmatismo... Dá um medo de que
ele fique aqui... Enfim, vou atualizando vocês conforme tiver novidades.
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